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terça-feira, 20 de março de 2012

FUTEBOL: MUITO ALÉM DE UMA PAIXÃO

De paixão e entretenimento, o futebol passou a ser um mecanismo de dominação ideológica, servindo de espelho para as massas, que enxergam nele uma imagem que não é o seu verdadeiro reflexo.

Não é raro que governos, países, grupos econômicos e outros se utilizem desse tipo de ferramenta para manipular o pensamento das pessoas. Na verdade, tem sido assim desde o começo dos tempos. No Império Romano, por exemplo, a lutas de gladiadores eram o ápice da política do pão e circo.

Esses aspectos históricos sugerem que o subconsciente coletivo humano tem uma necessidade de espelhamento. E os detentores do Poder estão sempre atentos para essa particularidade. Eles sabem que todo homem ou mulher que vem enfrentando uma seqüência de fracassos na vida, sendo vítima de injustiças sociais, vai esquecer-se um pouco, ou completamente, do seu drama ao ver seu time, ou seleção do seu país, ser o grande destaque nas competições internacionais de futebol. Essas pessoas convertem os sucessos de suas equipes nas vitórias que não têm obtido em suas vidas.

É, portanto, natural que o futebol tenha ultrapassado os limites do entretenimento, pois, também, é simplesmente habitual e corriqueiro que as classes dominantes se utilizem das paixões humanas para dominar o povo. Na época da Roma Antiga, o grande fenômeno eram as lutas de gladiadores. Hoje é o futebol. No futuro, aparecerão outras paixões. E assim seguirá a humanidade.

sábado, 8 de outubro de 2011

A COMPETÊNCIA COMO CONDIÇÃO PARA SOBREVIVER NA POLÍTICA AREIA-BRANQUENSE

Seria antidemocrática a ausência de uma estrutura de oposição? Vejamos. Levando-se em conta que a Liberdade está no centro do conceito de Democracia, a resposta, obviamente, é não.

Dizer-se, ainda que indiretamente,  que é obrigatório existir um sistema oposicionista ou blocos de direita, esquerda e de centro para que se possa considerar um contexto como democrático é completamente incoerente e paradoxal, visto que, na Democracia, não pode haver imposições. Ninguém é obrigado a ser oposicionista e, muito menos, da situação. A escolha de ser um ou outro é livre, independente do que motivar a preferência. No mundo democrático, tudo é resultado da Liberdade.

No entanto, a livre escolha de ser e manter-se como oposição ou situação exige, indiscutivelmente, a capacidade de ser competente. Sem competência, não é possível existir na Democracia. E o reflexo disso no contexto político de Areia Branca é que, se teorias de observadores do cenário local de hoje identificam uma candidatura governista com um poder sobreposto a qualquer outra, o pragmatismo sinaliza para a oposição que, naturalmente, é preciso competência para reverter tal situação. Na Política, não há lugar para habilidades medianas.

O atual bloco situacionista já foi oposição por 18 anos e nunca esteve à mercê de sucumbir. Ao contrário, conseguiu progressivamente aumentar a sua força até que, em 1996, os tentáculos do governismo da época, até então invencíveis, não foram suficientes para evitar a derrota. Aliás, das quatro vitórias consecutivas do atual grupo da situação, duas foram contra candidaturas governistas. A primeira, como já mencionado, em 1996, e a segunda, em 2004.

Os atuais oposicionistas já tiveram duas oportunidades de voltar ao Poder em 2004 e 2007. Ainda assim, não conseguiram transformar essa posição, que observadores consideram privilegiada, numa vitória nas urnas. Na verdade, aconteceu o inverso, pois, em cada uma das duas vezes em que a oposição reassumiu o Poder, sofreu uma derrota maior. Nesses dois momentos, os polípodes tentaculares atribuídos ao governismo de então não foram suficientes para dissolver a vontade popular. É que o povo já havia feito uma avaliação da competência, dando preferência ao situacionismo de hoje. Assim, estar no Poder não é condição sine qua non para vencer. Há que ser competente. E o que parece curioso, mas que não é, e que, de fato, jamais poderia ser, é que tudo isso não se aplica apenas à esfera municipal. Como exemplo, basta que se observe o resultado das últimas eleições para o Governo do Estado no RN, quando a oposição obteve uma vitória esmagadora no primeiro turno sobre oito anos de governismo.

Mas, por que se está falando tanto em competência? Seria somente porque é sinônimo de habilidade e eficiência? Não, claro não. É muito mais que isso. Fala-se nela como a maneira mais eficiente de contrapor-se à corrupção. Note-se que o Souzismo, nesses mais de seis anos de eficiência administrativa no governo municipal de Areia Branca, nunca foi tachado de corrupto pelos órgãos fiscalizadores oficiais. E o resultado tem sido uma invencibilidade que se revela inacreditável. Nesse sentido, quando o artista Millôr Fernandes afirma que, "em nossos dias, o caminho mais curto entre a ideologia e o poder, é a corrupção”, logo nos vem à lembrança que a realidade areia-branquense nos mostra que, dentro da honestidade, há uma passagem direta ao poder: a competência.

Portanto, em nada resultará que observadores do cenário pré-eleitoral tentem colocar a culpa dos fracassos oposicionistas no contexto político atual, qualificando-o de antidemocrático. É preciso buscar novos caminhos, novas habilidades e novas estratégias para reverter esse quadro desfavorável. É preciso ser eficiente para ser oposição. E todos que quiserem sê-la e não se atentarem para tudo isso se afogarão no grande lago de competência que circunda o reino do governismo.

É isso.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O MEMORIALISMO COMO NEGAÇÃO AO ENVELHECIMENTO


A literatura memorialista tem a tendência de recriar o passado como uma época melhor que a de hoje. E não haveria nenhum problema nisso se, praticamente, em todas as vezes, não fosse dito que o mundo de agora é sempre pior que o de antigamente.
Não se pode afirmar que tudo antes era melhor, simplesmente, porque um saudosismo profundo tomou conta de nossa alma, sobretudo quando, a todo instante, salta aos nossos olhos que os novos tempos é que transformaram a vida da humanidade, deixando-a melhor. Hoje as expectativas de vida são maiores, a mortalidade infantil, progressivamente, atinge níveis cada vez mais baixos, os meios de transporte e comunicações chegaram a um estágio tecnológico nunca antes imaginado e a medicina consegue curar inúmeras doenças que já foram uma condenação à morte. Mulheres, negros e grupos sociais, antes vítimas de preconceitos, jamais tiveram um grau tão alto de participação na cidadania e em todas as áreas da sociedade como agora.
Note-se que a pobreza sempre foi pobre, a violência, violenta e os solitários, sozinhos. Também, a tristeza nunca deixou de ser triste. Assim, temos que estabelecer parâmetros e fazer uma comparação fundamentada e racional antes de dar um veredicto e sentenciar o mundo do presente a ter o rótulo eterno de tempo ruim, pois, é fato evidente que, atualmente, tudo se nos revela melhor. E a única coisa que nos parece diferente disso somos nós mesmos, que envelhecemos. O envelhecimento, ou melhor, o seu efeito sobre nossas vidas, e sobre nossa própria estrutura organo-físico-química e psicossocial, tomando conta de nós, é que nos faz auto-avaliarmos como seres piores do que éramos antigamente. E isso nos toca agudamente sempre que lembramos e relembramos que o tempo não regressa e, por isso, de fato, nunca mais poderemos voltar a ser criança.
Portanto, memoriar é recordar épocas boas de quando éramos jovens e, simultaneamente, saber que tudo também teria sido bom, se tivéssemos vivido nossa juventude agora. É entender que querer voltar no tempo e não poder é um conflito psíquico que nos infringiria do mesmo jeito, se nossa velhice tivesse acontecido em nossos tempos de menino. Todos nós temos que nos adaptar às novas realidades de cada fase da vida para melhor aceitá-las. E sendo assim,  o envelhecimento é uma questão que devemos resolver conosco, de nós para nós mesmos, e deixar de colocar a culpa de tudo no mundo de hoje.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O PESO PESADO DO VOTO EM BRANCO EM AREIA BRANCA

* Artigo de nossa autoria publica no Blog Costa Branca News em 12 de outubro de 2010.


O resultado das Eleições 2010 no âmbito de Areia Branca nos revela, logo à primeira vista, que o percentual de votos em branco merece uma análise cuidadosa. E mais que isso, levando-se em conta que, entre candidatos a deputado federal e estadual, somente 8 nomes conseguiram superar esse tipo de manifestação do eleitor, sendo a maioria das candidaturas derrotadas pela “votação branca”, a Classe Política Local se vê obrigada a dar ao fenômeno essa atenção especial.

Para Deputado Federal, 1.201 eleitores areia-branquenses votaram em branco, quantidade inferior apenas à de Sandra Rosado, Betinho Rosado, Fábio Faria e João Maia. Para a Assembleia Legislativa, Larissa Rosado, Dr. Leonardo Nogueira, George Soares e Dibson Nasser foram os únicos a superar os 954 votos brancos em Areia Branca. Ainda, fazendo-se um exame em relação aos postulantes ao Governo do Estado e ao Senado, percebe-se também a vitória do “sufrágio branco” areia-branquense sobre a maior parte dos candidatos.

Ao invés de serem tidos unicamente como uma parcela da votação que será desconsiderada para classificar os candidatos, os votos em branco são o grito de parte do eleitorado dizendo que, no processo eleitoral, não surgiu alguém que reunisse, em si, qualidades e condições para representá-lo e simbolizar a sociedade onde está inserido. Diferentemente do voto nulo, que pode resultar do simples erro do eleitor ao tentar manipular a urna eletrônica, o “sufrágio branco” é uma manifestação objetiva e direta de que nenhum dos postulantes possui requisitos suficientes para lançar-se como uma opção eleitoral; que nenhum deles tem atributos para constitui-se como um candidato. O voto em branco é, portanto, o voto em ninguém.

Logicamente que, por essa ótica, não se pode dizer que o candidato que obteve votação inferior aos votos brancos cometeu erros de estratégia, de marketing, de escolha de cabos eleitorais, ou mesmo que tenha perdido para si mesmo, porque, pelo que representa o voto branco, esse postulante não reuniu caracteres para qualificar-se sequer como candidato. Perder a eleição para “o sufrágio branco” é, então, perder para ninguém. É ser derrotado por “um nada”.

Voltando-se outra vez para o “mundo areia-branquense”, faz-se necessário destacar que a discussão em torno do “voto em branco” assume um caráter emergencial, visto que a comparação dos números da Eleição de 2006 com a atual mostra que o percentual desse tipo de opção eleitoral aumentou em relação a todos os cargos. É um sinal de alerta aos Políticos onde o cidadão da “ilha do sal” está pedindo um melhor tratamento.

Por derradeiro, é importante, ainda, deixar claro que não se fez aqui uma análise cuidadosa da questão. Quem se vê obrigada e deve dedicar-se a dar ao problema esse tipo de cuidado especial é a Classe Política areia-branquense, que é a única diretamente afetada pelo fenômeno do “voto em ninguém”. E é bom começar logo ou, então, o peso pesado do “sufrágio branco” continuará afundando mais, e mais, candidaturas no chão encantado da Terra das Areias Brancas.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A INDÚSTRIA SALINEIRA E O FUTURO DE AREIA BRANCA

*Artigo de nossa autoria publicado no Blog Costa Branca News (www.costabrancanews.com) em 26 de janeiro de 2011.


As constantes oscilações, entre crise e prosperidade, da indústria salineira do Rio Grande do Norte são uma séria ameaça à economia de Areia Branca. A situação, na verdade, é de alto risco. 

A cidade sempre teve seu desenvolvimento ligado à cadeia de produção do sal. Tanto as primeiras barcaças de madeira e propulsionadas a vela como os modernos navios de agora, com avançadas tecnologias, vieram para cá não por outro motivo senão para atender a uma necessidade do comercio salineiro. Pela mesma razão é que foi construído o Porto Ilha e que ainda existe aqui uma filial da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN). Somente a Norte Salineira Indústria e Comércio (NORSAL) emprega quase 1000 pessoas, para não citar números doutras empresas do mesmo setor e também daquelas da área de transporte marítimo. Todas elas, conjuntamente, entre empregos diretos e indiretos, sem nenhum exagero, aumentam aquele número de 1000 em quase dez vezes. Como conseqüência, diversas profissões e atividades locais, ligadas ao comércio e aos serviços, estão relacionadas ao sistema produtivo do sal. Areia Branca não seria como é, e nem pode ser, se não fosse, e se não é, o sal que brota de suas terras e que resulta da evaporação de suas águas.

Assim, os diversos fatores que afetam séria e diretamente a Indústria Salineira do Estado podem provocar um estrago na economia areia-branquense, dependendo da intensidade com que venham a apresentar-se. E quatro deles merecem destaque. 

O primeiro está relacionado aos períodos de vazão contínua da Barragem de Santa Cruz no município de Apodi, que provoca a queda da salinidade do estuário do rio Mossoró, levando a necessidade de captação de uma maior quantidade água para produção de sal, com maior tempo para evaporação e conseqüente aumento nos custos de produção. Se isso já é um problema, uma provável transposição do rio São Francisco para o Rio Apodi-Mossoró não apenas tornará a situação caótica, como acabará com a excelência da qualidade do nosso sal.

O segundo ponto a ser destacado é o baixo preço do produto. Para ter-se uma idéia, em 1994, quando o plano Real foi implantado, o valor de oferta do sal moído em unidades de 25 kg era de aproximadamente R$ 2,08 e o do litro da gasolina era menos de R$ 1,00. Nos últimos anos,  o preço do sal já esteve abaixo de R$ 2,00 e o litro da gasolina se aproxima dos R$ 3,00.

O terceiro item a ser lembrado é a entrada do sal chileno no Brasil. O produto chega isento de taxas e impostos, como conseqüência de acordos do MERCOSUL. Navios chilenos que vêm para nosso país buscar minério de ferro trazem o sal sem custo de frete, pagando somente pelo combustível. Dessa forma, apesar de vir de mais longe, chega com preço mais barato, provocando prejuízos à Indústria Salineira Potiguar. O mais sério é que a importação do sal chileno vem aumentando a cada ano. Em 2002, era de 53 mil toneladas e, em 2009, chegou a cerca de 700 mil, que é mais de 10% da produção nacional. Nesse mesmo ano, somente o porto de Paranaguá/PR, que havia importado do Chile 116 mil toneladas em 2008, importou aproximadamente 170 mil, um aumento de mais ou menos 46%.

O derradeiro fator é a famoso petróleo da camada pré-sal. Toda a expectativa gerada em torno da notícia dessa descoberta já começou a chamar atenção para investimentos, o que, inevitavelmente, fará com que a modernização dos portos e da logística do transporte do sal potiguar não tenha prioridade.

Mas, enfim, ante esse complexo quadro que ameaça a estabilidade econômica de Areia Branca, o que se pode apontar como alternativa? A utilização do Porto Ilha para exportação de outros minérios e de outros produtos, como frutas? O desenvolvimento de outro tipo de indústria, como a do beneficiamento do caju? O investimento na estruturação do turismo? A modernização do setor pesqueiro? A verdade é que nada disso, isoladamente, constitui-se como uma boa opção. Há a necessidade de um projeto de desenvolvimento que englobe vários setores e diminua essa excessiva dependência da Indústria Salineira. Nosso futuro está à mercê disso.

E como seria, então, um projeto como esse? Muito bem... Muito bem eu diria que esse é um tema para uma outra discussão e, também, para os cidadãos de altas posições hierárquicas do município... para as nossas autoridades, especialmente aquelas ligadas à área salineira e de transporte marítimo. Afinal, sou apenas mais um areia-branquense comum, e mortal, no meio de todos os outros.