Páginas

On line agora

Pesquisar este blog

segunda-feira, 6 de maio de 2013

DOM MARCELO CANTA O SALMO 66 NA IGREJA MATRIZ DE AREIA BRANCA

Ontem, 05/05/2013, Dom Marcelo cantou o Salmo 66 (Que as nações Vos glorifiquem, ó Senhor) na Igreja Matriz de Arreia. Escute até o fim e verá como foi bonito.




Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,*
que todas as nações vos glorifiquem!

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção,*
e sua face resplandeça sobre nós!
Que na terra se conheça o seu caminho*
e a sua salvação por entre os povos...

Exulte de alegria a terra inteira,*
pois julgais o universo com justiça;
os povos governais com retidão,*
e guiais, em toda a terra, as nações.

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,*
que todas as nações vos glorifiquem!
Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe,*
e o respeitem os confins de toda a terra!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

UM PASSEIO PELOS BECOS, RUAS E ESQUINAS DE CHICO DE NECO CARTEIRO




Domingo, 23 de dezembro. Estamos às portas do Natal, tempo de extrema importância para o mundo cristão. Época de confraternização, de rever os amigos e compartilhar o que há de bom na vida. Evidentemente, um bom vinho também faz parte desse contexto. É que o vinho não se resume em si mesmo; ele também é o momento. Mas, não estive por aí em nenhum restaurante, adega ou coisas do gênero; e, muito menos, em algum evento do tipo natalino. Também, não é que não tenha, dias atrás, participado das tradicionais festas deste período. Simplesmente fiz algo um pouco diferente do que habitualmente tenho feito. Visitei um novo velho amigo. Ou seria um velho amigo novo? Não importa. Um grande amigo. Foi Francisco Rodrigues da Costa, nosso Chico de Neco Carteiro, o escritor que 
“se muere por” Areia Branca, sua terra de nascimento. Não se pode negar que ele é enamorado por ela. Não é todo mundo, afinal, que se encanta somente em olhar o Ivipanim, rio que banha a cidade. “... de repente estamos na Rua da Frente. Maré cheia, linda de encher os olhos...”, é como Chico se refere a ele, o rio, na crônica “Um passeio agradável”, de sua mais recente publicação: Becos, Ruas e Esquinas.


Na chegada à casa do escritor, em Mossoró, ele me recebeu como um nobre. Não eu! Ele é quem parecia um nobre, tamanha era sua gentileza, uma mescla de cortesia e simplicidade. Até pensei que, se o Rio Grande do Norte fosse uma monarquia, Chico poderia ser chamado de Dom Francisco, do Condado de Areia Branca. Foi apenas um ligeiro pensamento, surgiu do nada, mas bem que poderia ser verdade.

Chico de Neco Carteiro
Há dois anos, quando esse filho do antigo Carteiro areia-branquense lançou seu terceiro livro, Caminhos de Recordações, comentei num artigo que sua narrativa, a escrita, lavava-nos de volta pelo tempo, fazendo-nos vivenciar, em carne e osso, tudo que ele nos contava. Pois, numa conversa descontraída, como a de domingo, percebia-se o quão é surpreendente como suas palavras, as faladas, fazem-nos sentir a mesma coisa, principalmente em certos momentos quando Chico parece transpirar saudade. Aliás, foi num minuto desses que, falando sobre as antigas barcaças e os barcaceiros de Areia Branca, o escritor se emocionou ao dizer, como também diz numa crônica com o mesmo tema, que nas suas “... veias em vez de sangue parece correr saudade...”. E houve um instante em que, eu mesmo, parecia ver-me sentado na velha Rua do Meio, entre as casas de Caboclo Lúcio e Manoel Bento. É o transcendentalismo que Francisco Rodrigues nos faz experimentar com suas histórias.

Logo ficou claro que o assunto principal seria seu novo livro. E perguntei-lhe se estava feliz com esse trabalho. Na sua timidez, Francisco Rodrigues disse que gostou muito e, buscando as palavras de Orlando Silva, grande cantor da época de sua juventude, completou, dizendo: “... mas os outros é que vão dizer se o livro é bom ou não”. Eu, particularmente, vejo em Becos, Ruas e Esquinas o mesmo encanto das obras anteriores. Melhor dizendo, Chico evoluiu em estilo. Até mesmo quando trata de temas como os velhos prostíbulos, ele não perde a leveza de sua narrativa. “... A penumbra no quarto bem arrumado. A mesinha e, sobre ela, a bacia. A jarra com água, o sabonete, a toalha. Tudo bem preparado para o asseio depois dos minutos de satisfação...”, assim o escritor descreve, na crônica Alto Louvor, um quarto dos antigos cabarés. E sobre as mulheres, as prostitutas que viviam por lá, ele diz que elas “... alegravam as noitadas do ambiente condenado pela Igreja e pela sociedade. Lugar que todos condenam e ninguém destrói...”.

Enfim, eu poderia ter ido apreciar, noutros lugares, um Carmenère, vinho aqui de perto, do Chile. Ou um Tannat uruguaio. Quem sabe um Malbec, de Mendoza, na Argentina. Ou até mesmo um espanhol, da uva Tempranillo. Ou qualquer outro. Mas inventei de fazer um passeio pelos Becos, Ruas e Esquinas de Chico de Neco Carteiro. E valeu a pena.  Afinal, como bem diz o nosso escritor, se o poeta português Fernando Pessoa não esqueceria sua Lisboa encantadora, resguardadas as devidas proporções, por que nós, aqui, haveríamos de esquecer Areia Branca?

Para o próximo encontro, levarei o vinho...

quinta-feira, 5 de abril de 2012

MY PICTURE OF TOMORROW

I think that the member of my family who is most similar to me is my mother. Not only in physical appearance, but mainly in relation to my personality. Even my handwriting looks like hers. She taught me to write and read before I started going to school for the first time. We really have the same sense of humor. Our beliefs are very similar. And the way we react to any situation is almost the same.
I have learned from her the ethical values of our society and the overview of the world and life. Of course now I have my own conceptions, but the majority of them are based on what she taught me.
So from what I have told above, it is not difficult to conclude that we have a lot in common. In fact, as we are physically very similar, If I were a woman or she a man, we would be almost a copy of each other. In better words, she would be my picture of tomorrow.

terça-feira, 20 de março de 2012

FUTEBOL: MUITO ALÉM DE UMA PAIXÃO

De paixão e entretenimento, o futebol passou a ser um mecanismo de dominação ideológica, servindo de espelho para as massas, que enxergam nele uma imagem que não é o seu verdadeiro reflexo.

Não é raro que governos, países, grupos econômicos e outros se utilizem desse tipo de ferramenta para manipular o pensamento das pessoas. Na verdade, tem sido assim desde o começo dos tempos. No Império Romano, por exemplo, a lutas de gladiadores eram o ápice da política do pão e circo.

Esses aspectos históricos sugerem que o subconsciente coletivo humano tem uma necessidade de espelhamento. E os detentores do Poder estão sempre atentos para essa particularidade. Eles sabem que todo homem ou mulher que vem enfrentando uma seqüência de fracassos na vida, sendo vítima de injustiças sociais, vai esquecer-se um pouco, ou completamente, do seu drama ao ver seu time, ou seleção do seu país, ser o grande destaque nas competições internacionais de futebol. Essas pessoas convertem os sucessos de suas equipes nas vitórias que não têm obtido em suas vidas.

É, portanto, natural que o futebol tenha ultrapassado os limites do entretenimento, pois, também, é simplesmente habitual e corriqueiro que as classes dominantes se utilizem das paixões humanas para dominar o povo. Na época da Roma Antiga, o grande fenômeno eram as lutas de gladiadores. Hoje é o futebol. No futuro, aparecerão outras paixões. E assim seguirá a humanidade.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O INEVITÁVEL VALOR DA BELEZA

A beleza, como um valor social, segue com o mesmo destaque que sempre teve em toda a História. A ciência, a tecnologia, a medicina e outras áreas evoluíram enormemente nos últimos cem anos, mas algumas valias sociais, como poder, riqueza, juventude e beleza permanecem os mesmos. O que mudou foi apenas a maneira como elas se nos mostram.

Em relação à beleza, não se pode querer que, no mundo atual, as pessoas deixem de ver nos traços anatômicos perfeitos de homens e mulheres algo que as encante, pois foi assim que evoluíram as sociedades desde as belezas históricas e mitológicas de Cleópatra no Egito Antigo e de Helena de Tróia na Civilização Grega até as celebridades do cinema e da moda dos séculos XX e XXI. Vê-se que as pessoas hoje continuam admirando o belo como sempre fizeram. O que está diferente é somente o contexto em que ocorre o fenômeno.

Na Antiguidade, por exemplo, quem não se enquadrava nos ditos padrões de beleza da civilização em que estava inserido teria, simplesmente, que se adaptar à situação ou amargar-se numa vida inteira de descontentamento com o seu próprio corpo. Com a evolução científica e tecnológica atual, cada um tem a opção de buscar os meios disponíveis para adaptar-se aos modelos exigidos pela sociedade.

Portanto, se é bom ou ruim, certo ou errado haver padrões de beleza, não há exatamente como saber. O fato é que a procurar pelo belo, assim como pelo prazer e pela imortalidade, é um fenômeno psíquico e social humano que sempre existirá. E é algo inevitável que, exatamente por isso, temos que entender e adaptar-nos.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

UM TRÁGICO DESTINO À VISTA

A resistência de algumas espécies à ação predatória do Homem sobre a Natureza é o resultado da adaptação delas dentro do processo de seleção natural, descrito por Charles Darwin há mais de cem anos. Porém, as inúmeras intempéries imprevisíveis que vêm ocorrendo e que são resultantes dessa predação têm tornado a sobrevivência na Terra cada vez mais difícil.

Desde a primeira revolução industrial no século XIX, o meio ambiente tem sofrido com os efeitos degradadores do processo de desenvolvimento mundial. Tal sofrimento, no início, já se revelava progressivo, mas ainda era lento. Com o avanço tecnológico e científico do século XX, o crescimento industrial e seus impactos se converteram num mecanismo de destruição da Natureza extremamente rápido. E a capacidade de adaptação das espécies às mudanças não tem evoluído com a mesma velocidade. Falta-lhes tempo hábil para tanto. E a conseqüência disso já está à nossa vista, quando assistimos ao desaparecimento de animais e plantas e, também, aos desequilíbrios climáticos.

Além de tudo, há um fator agravante. As várias tentativas de frear o processo de destruição do meio ambiente, desde a conferência de Estocolmo em 1972 até a de Johannesburgo em 2002, todas, não têm obtido o sucesso esperado.

Assim, desse contexto, não é difícil concluir que brevemente poderemos ver intempéries se transformarem em catástrofes e desaparecimentos de espécies, em extinção globalizada. O trágico fim para onde o Planeta está sendo levado salta aos nossos olhos. E há que se fazer algo para evitá-lo ou, infelizmente, morreremos todos. Não duvidem!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

COLUNA COSTA BRANCA

A partir deste mês de janeiro, começamos a escrever a coluna Costa Branca para o jornal/revista Folha do Estado, que circula em edições mensais pelo Oeste Potiguar. O jornal, por enquanto, não é muito conhecido em Areia Branca, mas a edição de janeiro tem circulado pela cidade desde o dia 17 último e já recebeu elogios. A coluna segue o estilo de vários títulos/manchetes de textos curtos, com o intuito de não tornar a leitura cansativa. É uma síntese mensal da Região da Costa Branca, abordando os fatos que são destaque de forma clara, objetiva e independente.

É provável que a próxima edição saia até 10 de fevereiro. Enquanto isso, alguns exemplares da publicação de janeiro ainda continuam circulando pela cidade. E para quem ainda não leu, segue abaixo alguns trechos de nossa coluna. Vale a pena conferir.

BRUNO FILHO QUEBRA O SILÊNCIO

Reunião na casa de Bruno Filho
A pré-candidatura a prefeito de Bruno Filho, do PMDB, nunca foi segredo em Areia Branca. Mas, o assunto ainda não tinha sido tratado de maneira tão direta por ele, como foi nesse final de ano. No último dia 29 de dezembro, seu silêncio cessou. Bruno, que já foi prefeito duas vezes e atualmente é vice de Souza, reuniu-se, em sua residência, com os líderes dos partidos da base aliada ao governismo e colocou-se oficialmente como pré-candidato da situação. Até aí, nada de novo. O alvoroço ficou por conta da disputa pela vaga da pré-candidatura a vice. Houve corre-corre das lideranças partidárias, cada uma querendo colocar os nomes dos seus partidos à disposição. A pré-candidatura de Bruno é comentada nos quatro cantos da cidade como favorita e, portanto, é natural que todos queiram garantir lugar ao sol, formando dupla com ele.

DEFINIÇÃO DE PRÉ-CANDIDATURA A VICE

Com o desencadeamento do corre-corre para tentar sentar-se na cobiçada cadeira de pré-candidato a vice pelo lado governista, a todo instante, aparecem postulantes dizendo que estão sendo “sondados”. Nada surpreendente. Tudo faz parte do jogo de bastidores de qualquer período pré-eleitoral. A grande realidade é que muita gente vai ser procurada e questionada sobre o tema. E isso se aplica tanto aos prováveis quanto aos improváveis pré-candidatos. Em todo caso, como um processo natural, o escolhido terá que passar pelo crivo de “Souza”, líder do bloco da situação. Portanto, quem estiver achando que tem chances reais de emplacar uma pré-candidatura a vice, é bom ficar afinado com ele. E, pelo que se percebe, afagos políticos oportunistas e de última hora de nada adiantarão. Parece que o histórico de cooperação e fidelidade dentro do “Souzismo” terá um grande peso na escolha.

RETROSPECTIVA 2011 E O NOVO HOSPITAL SARAH (parte I)

Prefeito Souza
No último dia de 2011, o prefeito “Souza” fez uma retrospectiva de seu governo no seu programa na Rádio FM Costa Branca. Dentre as várias ações comentadas, a construção do novo Hospital Sarah Kubitschek teve destaque especial. É que a população espera com grande entusiasmo a inauguração do novo Sarah, prevista para maio. Há cerca de 30 anos já era evidente a necessidade de uma ampla reforma no hospital e, depois de todo esse tempo, foi preciso agora que o prefeito buscasse parcerias para construir um novo edifício com condições de abrigar uma estrutura hospitalar toda nova e em condições de atender à população, que cresceu consideravelmente nesse período.

RETROSPECTIVA 2011 E O NOVO HOSPITAL SARAH (parte II)

Numa conversa conosco logo após o programa de rádio, “Souza” se mostrou satisfeito com essa nova conquista de sua administração. “A construção do novo hospital tem sido uma bandeira que temos sustentado desde nossa primeira gestão. Agradecemos muito a Deus por ter-nos dado a chance de inaugurarmos essa importante obra ainda este ano, antes de deixarmos a administração do município”, diz o gestor.

Para ver o restante da coluna, leia o jornal Folha do Estado.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

SURPRESA !

Causou-me surpresa ver minha foto no blog Costa Branca News, sendo citado como uma das opções de pré-candidatos a vice-prefeito pelo lado governista em Areia Branca. Não fui consultado sobre o tema e, muito menos, sobre a publicação. Mas, agradeço ao presidente local do Partido Verde (PV) por haver-se lembrado de meu nome.

Vejo o fato como um procedimento natural de qualquer liderança partidária para valorizar a sua sigla e mostrar-se vivo no momento pré-eleitoral. Nada de novo nem de anormal. Todos os líderes e expoentes políticos têm feito algo semelhante durante convenções e períodos pré-campanha em vários momentos da história de Areia Branca, do Estado e do Brasil. Na verdade, um dos objetivos centrais de qualquer partido é ocupar um cargo majoritário. No âmbito nacional, o de presidente. No estadual, o de governador. E no municipal, o de prefeito. Ou de seus respectivos vices, é claro. Não há como negar isso.

No entanto, no caso específico do atual bloco governista de Areia Branca, onde há a união de um número considerável de siglas partidárias, o que torna o processo de conversação mais complexo, eu penso que os partidos que quiserem apresentar nomes como opções de pré-candidaturas majoritárias devem fazê-lo com seu expoente maior. Se, por acaso, houver grandes expressividades de peso político semelhante dentro de seus quadros, é bom que se tenha cautela. A citação somente de um nome poderá gerar um sério mal-estar.

Vereador Sandro Góis
Grande expoente do  PV
Em relação ao PV, o clima é de completa harmonia. E em minha opinião, como membro da sigla, entendo que o grande expoente dos “verdes” hoje é o vereador Sandro Góis. Conseqüentemente, a opção do partido é ele. E não estou querendo afirmar, com isso, que eu não pudesse ter aparecido como a segunda opção. O caso não é esse. Apenas penso que, para isso, seria preciso uma conversa prévia com o prefeito Souza (PP), atual líder do bloco governista, para que ele tivesse a oportunidade de apreciar a questão, visto que, em Areia Branca, o PV tem fortes ligações políticas com o PP, que detém a liderança do bloco. Mas, não foi o que ocorreu.

Para encerrar, e já tendo dado os agradecimentos pela lembrança do meu nome, tomo a liberdade de, por enquanto, seguir vivendo tranquilamente como cidadão areia-branquense comum, filiado ao Partido Verde.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

AS POSTAGENS ESTÃO DE VOLTA

Depois de cerca de 60 dias sem postagens, nosso blog volta à normalidade. Muitos afazeres diários não nos permitiram manter um ritmo de atualizações. Mas, agora conseguimos organizar o tempo e a partir desta semana, começaremos a fazer postagens, se possível, diárias. Um abraço a todos os leitores e peço que nos desculpem pelo período de inatividade do blog.

domingo, 1 de janeiro de 2012

sábado, 8 de outubro de 2011

A COMPETÊNCIA COMO CONDIÇÃO PARA SOBREVIVER NA POLÍTICA AREIA-BRANQUENSE

Seria antidemocrática a ausência de uma estrutura de oposição? Vejamos. Levando-se em conta que a Liberdade está no centro do conceito de Democracia, a resposta, obviamente, é não.

Dizer-se, ainda que indiretamente,  que é obrigatório existir um sistema oposicionista ou blocos de direita, esquerda e de centro para que se possa considerar um contexto como democrático é completamente incoerente e paradoxal, visto que, na Democracia, não pode haver imposições. Ninguém é obrigado a ser oposicionista e, muito menos, da situação. A escolha de ser um ou outro é livre, independente do que motivar a preferência. No mundo democrático, tudo é resultado da Liberdade.

No entanto, a livre escolha de ser e manter-se como oposição ou situação exige, indiscutivelmente, a capacidade de ser competente. Sem competência, não é possível existir na Democracia. E o reflexo disso no contexto político de Areia Branca é que, se teorias de observadores do cenário local de hoje identificam uma candidatura governista com um poder sobreposto a qualquer outra, o pragmatismo sinaliza para a oposição que, naturalmente, é preciso competência para reverter tal situação. Na Política, não há lugar para habilidades medianas.

O atual bloco situacionista já foi oposição por 18 anos e nunca esteve à mercê de sucumbir. Ao contrário, conseguiu progressivamente aumentar a sua força até que, em 1996, os tentáculos do governismo da época, até então invencíveis, não foram suficientes para evitar a derrota. Aliás, das quatro vitórias consecutivas do atual grupo da situação, duas foram contra candidaturas governistas. A primeira, como já mencionado, em 1996, e a segunda, em 2004.

Os atuais oposicionistas já tiveram duas oportunidades de voltar ao Poder em 2004 e 2007. Ainda assim, não conseguiram transformar essa posição, que observadores consideram privilegiada, numa vitória nas urnas. Na verdade, aconteceu o inverso, pois, em cada uma das duas vezes em que a oposição reassumiu o Poder, sofreu uma derrota maior. Nesses dois momentos, os polípodes tentaculares atribuídos ao governismo de então não foram suficientes para dissolver a vontade popular. É que o povo já havia feito uma avaliação da competência, dando preferência ao situacionismo de hoje. Assim, estar no Poder não é condição sine qua non para vencer. Há que ser competente. E o que parece curioso, mas que não é, e que, de fato, jamais poderia ser, é que tudo isso não se aplica apenas à esfera municipal. Como exemplo, basta que se observe o resultado das últimas eleições para o Governo do Estado no RN, quando a oposição obteve uma vitória esmagadora no primeiro turno sobre oito anos de governismo.

Mas, por que se está falando tanto em competência? Seria somente porque é sinônimo de habilidade e eficiência? Não, claro não. É muito mais que isso. Fala-se nela como a maneira mais eficiente de contrapor-se à corrupção. Note-se que o Souzismo, nesses mais de seis anos de eficiência administrativa no governo municipal de Areia Branca, nunca foi tachado de corrupto pelos órgãos fiscalizadores oficiais. E o resultado tem sido uma invencibilidade que se revela inacreditável. Nesse sentido, quando o artista Millôr Fernandes afirma que, "em nossos dias, o caminho mais curto entre a ideologia e o poder, é a corrupção”, logo nos vem à lembrança que a realidade areia-branquense nos mostra que, dentro da honestidade, há uma passagem direta ao poder: a competência.

Portanto, em nada resultará que observadores do cenário pré-eleitoral tentem colocar a culpa dos fracassos oposicionistas no contexto político atual, qualificando-o de antidemocrático. É preciso buscar novos caminhos, novas habilidades e novas estratégias para reverter esse quadro desfavorável. É preciso ser eficiente para ser oposição. E todos que quiserem sê-la e não se atentarem para tudo isso se afogarão no grande lago de competência que circunda o reino do governismo.

É isso.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O MEMORIALISMO COMO NEGAÇÃO AO ENVELHECIMENTO


A literatura memorialista tem a tendência de recriar o passado como uma época melhor que a de hoje. E não haveria nenhum problema nisso se, praticamente, em todas as vezes, não fosse dito que o mundo de agora é sempre pior que o de antigamente.
Não se pode afirmar que tudo antes era melhor, simplesmente, porque um saudosismo profundo tomou conta de nossa alma, sobretudo quando, a todo instante, salta aos nossos olhos que os novos tempos é que transformaram a vida da humanidade, deixando-a melhor. Hoje as expectativas de vida são maiores, a mortalidade infantil, progressivamente, atinge níveis cada vez mais baixos, os meios de transporte e comunicações chegaram a um estágio tecnológico nunca antes imaginado e a medicina consegue curar inúmeras doenças que já foram uma condenação à morte. Mulheres, negros e grupos sociais, antes vítimas de preconceitos, jamais tiveram um grau tão alto de participação na cidadania e em todas as áreas da sociedade como agora.
Note-se que a pobreza sempre foi pobre, a violência, violenta e os solitários, sozinhos. Também, a tristeza nunca deixou de ser triste. Assim, temos que estabelecer parâmetros e fazer uma comparação fundamentada e racional antes de dar um veredicto e sentenciar o mundo do presente a ter o rótulo eterno de tempo ruim, pois, é fato evidente que, atualmente, tudo se nos revela melhor. E a única coisa que nos parece diferente disso somos nós mesmos, que envelhecemos. O envelhecimento, ou melhor, o seu efeito sobre nossas vidas, e sobre nossa própria estrutura organo-físico-química e psicossocial, tomando conta de nós, é que nos faz auto-avaliarmos como seres piores do que éramos antigamente. E isso nos toca agudamente sempre que lembramos e relembramos que o tempo não regressa e, por isso, de fato, nunca mais poderemos voltar a ser criança.
Portanto, memoriar é recordar épocas boas de quando éramos jovens e, simultaneamente, saber que tudo também teria sido bom, se tivéssemos vivido nossa juventude agora. É entender que querer voltar no tempo e não poder é um conflito psíquico que nos infringiria do mesmo jeito, se nossa velhice tivesse acontecido em nossos tempos de menino. Todos nós temos que nos adaptar às novas realidades de cada fase da vida para melhor aceitá-las. E sendo assim,  o envelhecimento é uma questão que devemos resolver conosco, de nós para nós mesmos, e deixar de colocar a culpa de tudo no mundo de hoje.

domingo, 11 de setembro de 2011

A POLITÍSSIMA DUALIDADE

As atuais oposições areia-branquenses dominaram a política local durante quatro mandatos consecutivos até que, em 1996, uma dupla apareceu para pôr um fim a dezoito anos dessa supremacia e dar início a um novo tempo. Era a vez de Souza e Bruno.

Desde então, na história política de Areia Branca, esses dois nomes vêm ocupando as posições de maior destaque. Bruno foi duas vezes prefeito e, agora, é vice de Souza. E este foi duas vezes vice de Bruno e, atualmente, está no segundo mandato como chefe do executivo municipal. Os bacuraus já não têm uma só cor. É que, entre eles, quem não é Souzista, é Brunista. Quem não veste amarelo, veste verde. Vive-se um dualismo.

O bacurau, portanto, deixou de existir como uma figura holística. Houve uma bipartição que gerou duas correntes dominantes e claramente perceptíveis no bloco governista: o Souzismo e o Brunismo. É certo que existem também alguns grupos pequenos, mas todos são agregados a um ou a outro desses sistemas maiores. O fato é tão evidente que se pode dizer que o eleitor não tem dado importância a qual sigla partidária têm pertencido esses dois líderes. E eles teriam vencido as últimas quatro eleições independentemente do partido a que estivessem filiados. Bruno, certamente, não teria perdido se não fosse do PMDB e, muito menos, Souza, se não fosse do PP. Os bacuraus de agora não votam mais em partido.

Não se está tratando aqui de falar de uma diarquia. Fala-se de uma preferência popular, pois tudo isso, na verdade, foi uma escolha do povo. Foi ele quem quis que fosse dessa forma. E continua querendo. Hoje o cidadão areia-branquense não consegue vislumbrar um comando situacionista em que não haja, nitidamente, um nome que represente Souza e outro, Bruno. E é exatamente por essa razão que os dois se têm mantido firmes na formação desse dueto vencedor. Como homens inteligentes, perceberam precocemente essa realidade. E não fizeram nada além de cumprir uma exigência da Política, que só se permite conduzir pela inteligência.

Assim sendo, no subconsciente popular do areia-branquense, não se vê uma candidatura de Bruno em 2012 sem um companheiro de chapa que demarque o terreno de Souza. E o inverso é verdadeiro. É uma dualidade necessária, um dogma político que os bacuraus exigem para continuar crendo que ainda podem sobreviver como um sistema uno.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O PÔR DO SOL MAIS BONITO DO MUNDO

Pôr do Sol visto do Cais Tertuliano Fernandes em Areia Branca

Desde muito tempo, diz-se que o Pôr do Sol mais bonito do mundo é visto do Cais Tertuliano Fernandes ante os manguezais do Rio Ivipanim em Areia Branca.
Na época de ouro do comércio marítimo, trabalhadores do porto e marinheiros, na Rua da Frente, mesclavam-se com os admiradores do crepúsculo areia-branquense no final das tardes. Eram momentos de encontrar amigos, pensar na vida e apreciar os esplendores da Natureza. E assim, sob o sol poente da Terra das Salinas, nas calçadas do Cais, próximo ao antigo Tirol, muitas histórias se converteram em lendas, e estas, em histórias. Por lá, nasceram e morrem amores, comemorou-se sonhos realizados e, também, por tanto outros que não passaram de ilusões, muitas lágrimas caíram. Os passeios pela orla do Rio Ivipanim alimentaram viagens psicodélicas de boêmios, poetas e homens apaixonados. E tudo que se passava e que se via por ali era, na verdade, um retrato da gente de Areia Branca.

Antiga Praça do Pôr do Sol
E, por isso, a fama do romantismo e da beleza do arrebol vespertino areia-branquense, já naqueles tempos, estendeu-se além das fronteiras da Cidade. Virou moda passear pelo Porto à tarde. E de tal maneira isso se deu que o largo em frente do velho Tirol, até hoje, é conhecido como Praça do Pôr do Sol. De fato, poucos o conhecem como Praça Dix-Sept Rosado.
Lamentavelmente, caminhar à tardinha pela Rua da Frente, há mais de duas décadas, perdeu o charme e a elegância. Os tempos são outros. Pessoas sobrecarregadas pelo trabalho excessivo, adolescentes enamorados pelas tecnologias de informática e pela internet, e areia-branquenses novos sem o bairrismo dos mais velhos não se interessam em admirar as belezas que a Natureza deu à sua Terra. Desse modo, ao cair da noite, andar pelo Cais Tertuliano Fernandes, defronte à pracinha, é como atravessar uma planície vazia. Sente-se uma falta de tudo, de histórias e de lendas, de sonhos realizados e de ilusões, dos sorrisos e das lágrimas, e das viagens transcendentais dos boêmios, dos poetas e dos homens apaixonados.
Atual Praça do Pôr do Sol
Porém, naturalmente, o descer do astro-rei por trás dos mangues, visto do porto areia-branquense, continua lindo. E ninguém se arrependerá se, numa tarde qualquer, resolver ir ao Cais e contemplar a cena. O certo é que quem já foi vê-la, ou quem um dia for, toda vez que a vir novamente noutros lugares do Planeta, pensará, no mesmo instante, que um dia já assistiu, em Areia Branca, ao Pôr do Sol mais bonito do mundo.

domingo, 4 de setembro de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

CEMITÉRIOS, ARTES E AS BELEZAS NATURAIS DE AREIA BRANCA

Cemitério de Père Luchaise
Paris
Além de morada eterna, os cemitérios, há anos, têm sido verdadeiras galerias de arte relacionadas à arquitetura e à escultura. Aristocracias, burguesias, oligarquias e outras classes detentoras de dinheiro e poder transformaram túmulos e capelas em suntuosas estruturas, mostrando que, mesmo diante da morte, o luxo ainda se mantém como marca registrada de suas posições sociais. Os Campos Santos se converteram, dessa maneira, em necrópoles de ostentação. E essa necessidade humana de exibir magnificência ante corpos sem vida e já consumidos pela areia é fato notório em todos os lugares do mundo, desde os Cemitérios de Père Lachaise em Paris, de Highgate e de Kensal Green em Londres até os da Consolação em São Paulo e da Recoleta em Buenos Aires.


Cemitério da Consolação
São Paulo
Por aqui, nas Terras das Areias Brancas, ainda não se chegou a esse grau de exibicionismo. Talvez porque, até agora, não tenhamos acumulado riquezas e poder para tanto. Ou quem sabe pelo fato de que, simplesmente, sejamos um povo diferente. Seja por uma causa ou por outra, a realidade é que não temos uma dessas necrópoles em nossas planícies salgadas. Mas, não se sabe a razão, Deus tratou de recompensar-nos. Ele nos deu um Campo de Descanso Eterno de frente para o Oceano Atlântico. É o Cemitério de São Cristóvão, na zona rural areia-branquense.

Cemitério da Recoleta
Buenos Aires
No alto duma colina, com vista privilegiada dum extraordinário contraste entre o azul do mar do Nordeste Brasileiro e o do firmamento, a Morada dos Mortos em São Cristóvão muito mais parece um paraíso. Certamente, se pudessem, inúmeras celebridades históricas, enterradas nos lugares mais famosos do mundo, prefeririam jazer ali a dormir eternamente sob a tristeza de suas terras frias, cobertas de névoas e de céus nublados, contrastando com esculturas de cimento cinza-enegrecidas ou de cobre verde-azinhavre, símbolos da nostalgia.

O retrato de nossa pequena “Necrópole São-Cristovense”, pois,  é de alegria e de luz, reflexo de uma gente que gosta de viver e sentir o mundo da maneira mais pura. São pescadores, agricultores, carroceiros e outros tantos. Para eles, o destino cuidou de oferecer a suntuosidade dos belíssimos mares, terras e céus areia-branquenses.  Um luxo que a Natureza lhes deu e que, até hoje, nenhum aristocrata, burguês, oligarca ou qualquer outro dessas espécies pôde comprar para seus mortos.
 
À esquerda: vista à partir da Colina do Cemitério. À direita, o Cemitério de São Cristóvão.


E assim, ostentar a imponência de belezas naturais ante o sono eterno da morte, por enquanto, é um privilégio apenas do nosso povo e uma marca registrada de Areia Branca.

domingo, 21 de agosto de 2011

A VELHA CALÇADA DA ALFÂNDEGA


Calçada da Alfândega em foto recente.
O aspecto de foto antiga foi dado por computação gráfica.
Toda cidade tem seus pontos de encontro tradicionais, onde pessoas se reúnem para debater diversos temas. Normalmente, esses locais são cafés, bares, praças, mercearias de esquina e clubes. Mas, em Areia Branca, um desses lugares fugia do habitual. Era a Velha Calçada da Alfândega, ao lado do Mercado do Peixe, na Rua da Frente.
À tarde, quando se faziam as primeiras sombras, começavam a chegar os mais ansiosos apreciadores de uma boa conversa. Eram tempos áureos da vida marítima e da pesca artesanal areia-branquenses, quando barcaças de madeira, canoas e botes tinham um enorme peso na sustentação da economia local. E, ali, na velha Calçada, juntavam-se marinheiros, estivadores, comerciantes de pescado, donos de bote, marchantes, carpinteiros, calafates, pescadores, carroceiros e muitos outros. Falava-se de tudo, desde negócios, comércio, trabalho, política e esporte até o tamanho do maior peixe já fisgado. O debate poderia ser sobre coisa séria ou apenas por diversão. Não havia regra. E, na maioria das vezes, o resultado eram momentos agradáveis.
O principal coadjuvante ao bate papo era jogar dominó. E, às sombras do prédio da Alfândega, formaram-se muitos especialistas no assunto. Fazia-se platéia para assistir às partidas, com direito a gritos de guerra, a doses de cachaça ou a uma cerveja. O álcool, aliás, era outro adjunto do entretenimento. Ele foi, naquele local, o combustível de euforias e alegrias, mas, infelizmente, foi, também, a razão da destruição de muitos encéfalos e de muitos lares.
Dos banquinhos improvisados na Calçada com paralelepípedo ou tronco de madeira, viu-se passar o tempo em Areia Branca. Assistiu-se ao nascimento e à morte de muitas gerações, ao lançamento ao mar de muitas embarcações recém construídas e ao desaparecimento de outras tantas. Foi um lugar onde se formou e modificou-se opiniões e tendências, onde se viveu a mais pura essência de ser areia-branquense.
Calçada da Alfândega em foto recente.
Entre novos e antigos, mortos e vivos, e suplicando o perdão dos que não forem mencionados, pode-se citar que já estiveram por lá Manoel de Marina, Vicente Besouro, Chico Treme-Treme, Listinha, Luís Tavernad, Antonio Pedro Cuia, Mainha, Juninho de Mainha, Chico Cunha, Samboca, Budão, João das Cruas, Jessé, Zezinho irmão de Jessé, Camaleão, Gilberto de Manoel Cebola, Josias, Mariquita, Hermes Pescador, Orácio, Chico Antonio, Dedé Bocão, Matias Pescador, Dioclécio Pedreiro, Chico Ribeiro, Fernando Zulmira, Emídio Pescador, Chagas da Carroça, Zé de Marina, Marcílio de Manoel de Marina, Carlim Berrim, Carlim da Secretaria de Finanças, Zé Pirreta, Doloroso, Citonho e outros incontáveis e memoráveis.
Mas, inevitavelmente, os novos tempos transformaram a realidade de Areia Branca. A pesca artesanal se encontra em decadência. As alvarengas de madeira perderam o lugar para as modernas barcaças de ferro. A indústria salineira cresceu e tornou-se mecanizada. Reuniões e debates agora são feitos pela internet. Carpinteiros navais, calafates, estivadores, carroceiros e donos de bote estão em extinção. E hoje, por ali, na Velha Calçada da Alfândega, quase em ruínas, mesmo que ainda se veja um ou outro sentado, conversando, não é nada como antes. Aquela época de ouro, há anos, passou e, provavelmente, nunca voltará. Viverá apenas em nossas lembranças, alimentando nossas saudades.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

NAS FILEIRAS DO “EXÉRCITO DA ARTE”, CONHECI UM SOLDADO QUE NÃO SE RENDE


*Artigo de nossa autoria publicado no Blog Costa Branca News em 1º de agosto de 2010.
   

Genildo Costa
Ontem (sábado), 31 de julho de 2010, fui ao lançamento do Livro “A Saga da Poesia Sobrevivente”, do artista Genildo Costa, que ocorreu na Câmara Municipal de Areia Branca.

E lá, no mesmo instante em que assistia ao evento, fiquei, comigo mesmo, de mim para mim,  bem baixinho, só em pensamentos, dizendo que atualmente lançar um livro de poemas é uma aventura arriscada e corajosa. É ato que merece respeito. É ousar perpetuar o amor pela poesia num mundo alheio a ela. Um mundo em que a dimensão populacional alarmante, aliada ao avanço tecnológico e científico, exige das pessoas preparação, rapidez, habilidades e eficiência. Exige tanto que lhes rouba todo o tempo disponível, e não sobra nada para a arte.

A informática e as tecnologias ligadas à internet se tornaram recursos elementares do cotidiano. São instrumentos indispensáveis e fazem parte da instantaneidade da vida moderna, onde parece que não há mais espaço à apreciação do universo artístico, especialmente das manifestações poéticas e da literatura de uma maneira mais ampla. As telas de computadores, com textos curtos e simples, de pouca expressão literária e pobre em representação da língua portuguesa como identidade cultural brasileira, têm substituído as páginas de livros. Até mesmo “sites” e “blogs” da imprensa e de instituições de respeito estão perdendo espaço para esse conteúdo de extremo reducionismo do ato de ler e escrever.

Portanto, diante dessa realidade que sufoca os artistas, a atitude de Genildo Costa é de um valentia incomparável. Ele é um "soldado de Stalingrado" defendendo a literatura. E merece todo o reconhecimento.

domingo, 7 de agosto de 2011

"DEUS ME DEU EM DOBRO!", DIZIA O CARPINTEIRO


Manoel de Marina
Numa manhã de 25 de dezembro, o pároco local, conduzindo a celebração fúnebre ante o caixão do tradicional morador de Areia Branca, perguntou se algum dos presentes teria algo a dizer em testemunho da vida daquele cristão ora falecido. Marcondes, um de seus filhos, apresentou-se e contou que o pai falava sempre que tinha recebido em dobro o que pedira a Deus.
O fato aconteceu em 2008 e faz parte da biografia do conhecido Carpinteiro Naval areia-branquense Manoel de Marina, cujo nome de batismo é Manoel Lino de Mendonça. De maneira poética, uma peculiaridade sua, ele contava aos filhos e aos amigos mais próximos que, no início de sua carreira, teve dificuldades de ser reconhecido como carpinteiro. Diante daquela situação, numa noite qualquer da semana, no bequinho de sua casa, sentado em sua antiga cadeira de balanço, mirou as estrelas, o céu sem nuvens, e rogou a Deus que as pessoas o reconhecessem como um bom profissional. Pediu ao Criador o reconhecimento do seu trabalho. Não suplicou por dinheiro nem por fama, tampouco por prazeres e vaidades.

Recorte do jornal O Poti,
de 21/04/1985
Cerca de 30 anos depois, no início de 1985, já estabelecido como extraordinário artífice naval e considerado por muitos o melhor carpinteiro de Areia Branca e da região, o velho Manoel recebeu a visita do norte-americano John Patrick Sarsfield, famoso engenheiro e historiador marítimo, especializado em caravelas portuguesas e construtor da réplica da Caravela Niña, do navegador Cristóvão Colombo. O cientista estadunidense pesquisava sobre técnicas antigas de construção naval no Nordeste Brasileiro e, ao ver aquele homem, que sequer havia terminado os estudos de primeiro grau, fazer projetos de engenharia e construir embarcações, ficou impressionado.  E logo se espantou ao saber em seguida que nosso mestre da carpintaria havia aprendido sozinho, no livro Arte Naval, da Marinha do Brasil, a estrutura e a arquitetura de navios. Era um autodidata.
Dias mais tarde, no domingo, 21 de abril de 1985, Manoel Lino se surpreendeu quando leu, no jornal natalense O Poti, uma nota de 27 linhas, contando-se com o título, em que se dizia que ele, o simples carpinteiro de uma pequena cidade do litoral norte-rio-grandense, era “... considerado um projetista e construtor de barcos, de nível internacional... um gênio, perdido em Areia Branca...”. Para quem é acostumado à fama e a ver seu nome estampado na imprensa, não haveria nada de excepcional nisso. Mas, para aquele humilde trabalhador, foi a coroação de sua vida profissional.
À noite, nesse dito domingo, no mesmo bequinho, e na cadeira de balanço, o carpinteiro olhou novamente o céu estrelado, como havia feito 30 anos atrás, e falou pela primeira vez: Deus me deu em dobro!

* Este artigo, de nossa autoria, foi publicado hoje (07/08/2011) no Blog Costa Branca News.